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Misheberach Lechaialei Tzahal

Misheberach Lechaialei Tzahal
Prece pelos Soldados de Israel - Aquele que abençoou nossos pais Avraham, Itschak e Yaakov, abençoará os soldados das Forças de Defesa de Israel, que guardam a nossa terra e as cidades de nosso D-us (...) O Santo, bendito seja Ele, guardará e livrará os nossos soldados de toda angústia e aperto, e de toda ocorrência e enfermidade, e mandará bênção e sucesso em todos os seus atos (...) e digamos AMEN. (que os méritos das preces e estudos aqui realizados sejam revertidos como bênçãos a Alisha bat Devora)
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segunda-feira, 25 de junho de 2007

Precisamos nascer



Certa vez, irmãos gêmeos foram concebidos no útero. Segundos, minutos, horas se passaram enquanto aquelas minúsculas formas embrionárias de vida iam se desenvolvendo. A centelha de vida cresceu e cada pequenino cérebro começou a moldar-se. Com o desenvolvimento do cérebro veio o sentimento e, com o sentimento, a percepção – percepção do que estava à volta, do outro e de sua própria existência. Eles finalmente descobriram que a vida era boa e riram e se deleitaram em seus corações.
Disse o primeiro a seu irmão: “Somos muito afortunados por termos sido gerados e abençoados com este maravilhoso mundo.”
O outro concordou: “É verdade, graças à nossa mãe, quem nos deu vida e um ao outro.”
Cada um dos gêmeos continuou a crescer e logo seus braços, mãos, dedos e unhas foram se definindo. Totalmente formados, esticaram seus corpos e começaram a explorar seu pequeno mundo. Analisaram cada centímetro até que encontraram o cordão umbilical, que lhes garantia a vida través do sangue materno. Felizes com a descoberta, entoaram uma canção: “Quão grande e belo é o amor de nossa mãe, pois ela divide tudo o que tem conosco!”
As semanas tornaram-se meses e, com o surgimento de cada novo mês, passaram a notar mudanças um no outro e em si mesmos.
- “ Estamos mudando”, disse um. “O que quer dizer?”
- “Significa”, disse o outro, “que nós estamos perto de nascer.”
Um frio tomou conta de suas almas. Eles temiam nascer, pois isto significava abandonar seu confortável universo.
Disse o mais temeroso: “Por mim, viveria aqui para sempre.”
- “Mas precisamos nascer!”, exclamou seu irmão. “É o que acontece com todos.”
De fato, havia evidências dentro do útero de que a mãe já havia carregado vida antes deles. “E eu acredito que há vida após o nascimento, você não?” – acrescentou.
- “Como pode haver vida após o nascimento?”, começou a chorar o assustado feto. “Acaso não vão cortar nosso cordão de vida quando nascermos? E você por acaso já conversou com alguém que nasceu? Alguma vez alguém reentrou no útero para descrever como é nascer? NÃO!” Enquanto falava, entrou em desespero e sussurrou: “Se o propósito de nossa concepção e crescimento dentro do útero é terminar nascendo, então nossa vida não tem sentido.” Agarrando com toda força seu precioso cordão umbilical e apertando-o contra seu peito, disse mais: “E se realmente for assim, então a vida é um absurdo e não existem verdadeiras mães!”
- “Mas há uma mãe”, protestou o outro. “Quem mais nos alimentou? Quem mais criou este mundo para nós?”
- “Recebemos nossos nutrientes deste cordão e nosso mundo sempre foi este. E se há uma mãe, onde ela está? Você já a viu alguma vez? Ela já conversou com você? Não! Nós inventamos nossa mãe quando éramos jovens porque isso satisfazia uma necessidade nossa. Acreditar nela fez com que nos sentíssemos seguros e felizes.”, afirmou o incrédulo.
Assim, enquanto um entrava em total desespero, o outro preparava-se para o inevitável futuro, depositando sua confiança nas mãos de sua mãe. As horas converteram-se em dias e os dias em semanas. Chegou o momento. Ambos sabiam que o nascimento estava em suas mãos, mas temiam o desconhecido. Entregaram-se a seu destino. Choraram quando foram trazidos à luz. Tiveram uma estranha sensação e absorveram o ar seco de uma sala fechada e iluminada.. Quando estavam certos de que realmente haviam nascido, abriram seus olhos, vendo a vida após o nascimento pela primeira vez. O que viram? Os lindos olhos de sua mãe enquanto eram acariciados em seus braços. Eles estavam em casa.
Nascemos para morrer e morremos para nascer. Precisamos nascer e acreditar na luz e ternura que nos esperam em nossa próxima etapa da vida. Dizer ‘lechaim” (à vida) ao final da Shiv’á (período inicial do luto judaico) não é apenas valer-se de um slogan milenar: é, antes de mais nada, uma convicção! Cabe-nos aceitar nosso destino, depositando nossa confiança nas sábias palavras de Jó (1:21): “D-us deu, D-us tomou. Seja o nome do Eterno abençoado”, pois é Ele quem está a nos “acariciar” quando ultrapassamos a barreira de nossa existência material. E eu acredito que há vida após o “nascimento” – um dos alicerces de nossa fé.
Que este conto possa ajudar a consolar e confortar aqueles que tanto precisam. Amén.



Prof. Sami Goldstein



Rabino da Comunidade Israelita do Paraná

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Dvar Torá Parashat Chukat - A fonte secou


Conta-nos a Parashá que no quadragésimo ano da saída do Povo de Israel do Egito, ao chegarem ao deserto de Tsin, lá faleceu Miriam, irmã de Moisés. E, com sua morte, também o poço que manteve os israelitas vivos por quarenta anos - conhecido como Beer Miriám, o poço de Miriam - secou. Sedento, o povo se volta a Moisés e Aarão, clamando por água. Moisés, então, recebe a ordem divina para reuni-los em torno de uma rocha e, ordenando verbalmente à mesma, dela extrair o líquido vital. Contrário ao mandamento de Deus, Moisés ergue seu cajado e, golpeando-a por duas vezes seguidas, faz com que um enorme fluxo de água dela jorre. Este episódio ficou eternamente conhecido como Mei Mrivá - as águas da discórdia - pois, por desobedecer à ordem expressa de apenas falar à pedra, Moisés é punido com a proibição de entrar na Terra Prometida. Embora esta história tenha um desfecho trágico, dela podemos extrair uma linda mensagem.
Através da “água” (conceito) muita coisa pode ser explicada no judaísmo. A própria Torá é a ela comparada. A Kabalá dela se utiliza para estabelecer as relações entre Maim Duchrim (águas masculinas) e Mei Nukva (águas femininas) - conceitos místicos de emanação e captação da revelação divina. A água, em nossa literatura, de uma forma geral, é chamada de Maim Chaim - a água da vida; ela simboliza, como nenhum outro material, o ciclo vital. É de sua natureza estar em constante movimento, fluindo nos oceanos, correndo nos rios e sofrer transformações: ora do líquido para o sólido, ora do sólido para o gasoso, etc. Porém - e isto aprendemos logo nos primeiros livros de Ciências - sua essência é imutável: independentemente de seu estado, sua fórmula sempre será H2O. Nossa alma segue este mesmo exemplo: ora está na forma de “vapor” (espírito), ora em uma forma “material” (investida em um corpo); de acordo com nosso comportamento, seu estado pode variar de “líquido” (uma vida ativa) para “sólido” (inexpressiva) e vice-versa. Mas sua essência sempre permanecerá a mesma: uma chama divina que a alimenta e a revitaliza constantemente.
Afirma a Mishná que este mundo é apenas um “corredor” e, portanto, um dia chega nosso momento de voltarmos à forma original (espírito). E, quando chega esta hora a alguém querido, parece aos nossos olhos que aquele poço, outrora cheio de “água”, agora está seco; ele é substituído por uma dura rocha que, cobrindo nossos corações, faz com que pensemos que o manancial de vida chegou ao seu fim. Clamamos e choramos, pois estamos tristes, mas a pedra é sólida e muito resistente; acreditamos estar tudo acabado.
Não é verdade! A rocha - nossa tristeza e angústia - é muito dura, mas por trás dela ainda flui a vida. Às vezes com uma palavra, outras com uma ação efetiva... mas temos ao nosso alcance o poder de rompe-la e fazer com que a “água” volte a jorrar. Como judeus, não contemplamos a morte, pois ela nada mais é do que uma transição de em estado para outro, uma mudança em sua forma, jamais em conteúdo.
Diz o Zohar, obra máxima da Kabalá: “Tsadik deitpatár ishtacách beálma iatir mibechaiohi” - uma pessoa justa e querida, após sua partida, encontra-se ainda mais presente neste mundo. A vida de um falecido continua em nossos corações, através de suas memórias e recordações e em nossos atos. Pois a existência de alguém só finda quando nós assim permitimos. Como conta o Midrash Rabá, sobre o Eclesiastes:
“Um bebê, quando vem ao mundo, está sempre com as mãos fechadas, como se dissesse:
- O mundo inteiro é meu, e eu hei de conquistá-lo!
Mas esta mesma pessoa, ao partir, está sempre com as mãos abertas, como se dissesse:
- Nada tenho em meu poder; tudo o que posso levar são minhas lembranças, e tudo o que posso deixar são meus exemplos...”
Ao darmos continuidade ao trabalhos - e aos exemplos - daqueles que nos antecederam, estaremos não apenas dignificando sua memória: estaremos permitindo que eles continuem a viver através de sua obra.


Prof. Sami Goldstein

Rabino da Comunidade Israelita do Paraná