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Misheberach Lechaialei Tzahal

Misheberach Lechaialei Tzahal
Prece pelos Soldados de Israel - Aquele que abençoou nossos pais Avraham, Itschak e Yaakov, abençoará os soldados das Forças de Defesa de Israel, que guardam a nossa terra e as cidades de nosso D-us (...) O Santo, bendito seja Ele, guardará e livrará os nossos soldados de toda angústia e aperto, e de toda ocorrência e enfermidade, e mandará bênção e sucesso em todos os seus atos (...) e digamos AMEN. (que os méritos das preces e estudos aqui realizados sejam revertidos como bênçãos a Alisha bat Devora)
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segunda-feira, 9 de julho de 2007

Construindo pontes


Certa vez, dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito. Foi a primeira grande desavença em toda uma vida trabalhando lado a lado, repartindo as ferramentas e cuidando um do outro. Durante anos percorreram uma estreita, porém comprida estrada que corria ao longo do rio para, ao final de cada dia, poderem atravessá-lo e desfrutarem um da companhia do outro. Apesar do cansaço, faziam-no com prazer, pois se amavam. Mas agora tudo havia mudado. O que começara com um pequeno mal entendido finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio.
Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta. Ao abri-la, notou um homem com uma caixa de ferramentas de carpinteiro em sua mão. “Estou procurando por trabalho”- disse ele. “Talvez você tenha um pequeno serviço aqui e ali. Posso ajudá-lo?”
“Sim!” – disse o fazendeiro – “Claro que tenho trabalho para você. Veja aquela fazenda além do riacho. É de meu vizinho, na realidade, meu irmão mais novo. Brigamos muito e não mais posso suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira perto do celeiro? Quero que você me construa uma cerca bem alta ao longo do rio para que eu não mais precise vê-lo.
“Acho que entendo a situação”- disse o carpinteiro – “Mostre-me onde estão a pá e os pregos que certamente farei um trabalho que lhe deixará satisfeito.” Como precisava ir à cidade, o irmão mais velho ajudou o carpinteiro a encontrar o material e partiu.
O homem trabalhou arduamente durante todo aquele dia medindo, cortando e pregando. Já anoitecia quando terminou sua obra, ao mesmo tempo que o fazendeiro retornava. Porém, seus olhos não podiam acreditar no que viam. Não havia qualquer cerca! Em seu lugar estava uma ponte que ligava um lado do riacho ao outro. Era realmente um belo trabalho, mas, enfurecido, exclamou: “Você é muito insolente em construir esta ponte após tudo que lhe contei”
No entanto, as surpresas não haviam terminado. Ao erguer seus olhos para a ponte mais uma vez, viu seu irmão aproximando-se da outra margem, correndo com seus braços abertos. Cada um dos irmãos permaneceu imóvel de seu lado do rio, quando, num só impulso, correram um na direção do outro, abraçando-se e chorando no meio da ponte.
Emocionados, viram o carpinteiro arrumando suas ferramentas e partindo. “Não, espere!”- disse o mais velho – “Fique conosco mais alguns dias. Tenho muitos outros projetos para você”
E o carpinteiro respondeu: “Adoraria ficar. Mas tenho muitas outras pontes para construir.”
Assumamos uma missão em nossos corações: vamos construir pontes! Quando a vida impuser um rio de separação entre nós, não nos sirvamos disso como desculpa para abandonar o campo de batalha. Quando houver injustiça e solidão na outra margem, não tenhamos medo de correr ao outro lado com os braços abertos. É muito mais fácil fechar-se numa cerca e proteger-se dos problema. Afinal, construir uma ponte requer mais empenho; podemos nos molhar nas turbulentas águas da frustração e abrimos espaço para que o inimigo penetre em nossas vidas. É bem mais prático um muro! Mas precisamos arriscar. Só quem arrisca vive! Em hebraico, ponte escreve-se GUESHER. Com as mesmas letras, escrevemos REGUESH – sentimento, sensibilidade. Diz o Talmud (Brachot 6a): dvarim haiotsim min halev nichnassim el halev – o que sai do coração imediatamente entra no coração. Se começarmos a construir nossas pontes em nossos corações, com certeza atingiremos nossos objetivos.


Prof. Sami Goldstein

Rabino da Comunidade Israelita do Paraná

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Não temos o direito de sermos infelizes


Diz o ditado popular: o homem é um ser insaciável. De todas as eternas buscas do ser humano, a mais frustrante é, sem dúvida, a procura da felicidade. Nossa satisfação é circunstancial e temporária. E nosso erro está em esperar pela felicidade em vez de conquistá-la! Esperamos para sermos felizes quando nos formarmos ou quando voltarmos a estudar; quando começarmos a trabalhar ou quando trocarmos de emprego; quando perdermos 10 quilos ou ganharmos 10 quilos; quando tivermos filhos ou quando eles finalmente saírem de casa; quando comprarmos um carro novo, uma casa nova, uma roupa nova... Quando, quando, quando...
Somos infelizes, pois nossa felicidade é sempre condicionada a algo que não seja nós mesmos. Temos uma imagem ideal que não podemos sustentar, pois não é condizente com nossa realidade. Tornamo-nos insatisfeitos, pois há uma grande lacuna entre o que imaginamos como perfeito no momento e o que somos na verdade.
Isso me lembra a história de um pescador. Na aldeia em que morava, assim falavam dele: “É um tipo esquisito. Contenta-se com muito pouco. É inteligente e sabe fazer muita coisa, mas não tem aspirações ou então falta-lhe determinação e coragem. Desta maneira, nunca será alguém na vida.”
O simples homem cultivava uma pequena horta. E, de vez em quando, pegava sua vara e ia ao rio pescar. Muitas vezes, quando pescava alguns peixes, voltava para casa e aproveitava o tempo para fazer o que gostava.
Um dia, passou por ali o homem mais rico da aldeia. Cansado e absorto em seus negócios, resolveu parar para se refrescar um pouco. Ao ver o pescador entretido com sua pescaria, disse em tom de desprezo: “Quantos dons perde o povo! Você pescou cinco peixes e vai embora? Por que não pesca mais? E, se não precisar deles, venda-os e faça dinheiro!
O pescador não entendeu a pergunta: “E para que eu quero o dinheiro?”
“Veja bem” - disse o rico – “faça como todos: pesque, venda, ganhe dinheiro, monte uma barraca e compre um barco. Em seguida, se você prosperar, monte uma frota e venda por atacado!
“Não entendo” – humildemente disse o pescador – “Mas tudo isso para quê?”
“Como assim?” – indignou-se seu companheiro – “Oras, para ter mais, viver com mais segurança, mais à vontade, gozar a vida, ter um trabalho, comprar uma casa no campo para desfrutar da natureza, fazer o que quiser e não depender dos outros”
E o pescador, ainda confuso, rebateu: “Acaso já não tenho tudo isso agora?
Nossa constante procura pela felicidade resume-se à simples soma da imagem do que para nós é o ideal com nossa realidade. E, neste cálculo, só podemos fazer duas coisas: modificar nossa imagem ou nossa realidade. Aceitem minha sugestão: o melhor a fazer é modificar a imagem. Isto quer dizer que, em vez de focar no que não temos ou ainda não temos, reconheçamos o quanto já conseguimos. A principal chave para a felicidade é, antes de mais nada, saber que não é o dinheiro ou poder que asseguram a felicidade, mas, sim, a gratidão. A inveja apenas a destrói. Diz a Mishná em Pirkei Avot: eizehu ashir? Hasameach bechelko – quem é rico? Aquele está feliz com o que tem e, principalmente, com o que é. Segundo e não menos importante: nosso grau de decisão de sermos felizes, pois disso dependerá nossa maior ou menor satisfação com os resultados. Não tenhamos medo de sermos felizes, nem que isso force-nos a mudanças. Mudar, às vezes, é bom. E nada, absolutamente nada, vale o preço de nosso sonho. O desafio da vida está em superar os obstáculos na nossa frente com determinação e coragem, gratos pelo que já recebemos e confiantes na nossa vitória pessoal. Não temos o direito de sermos infelizes. Procure sua felicidade, onde quer que seja, conquiste-a e seja feliz.


Prof. Sami Goldstein

Rabino da Comunidade Israelita do Paraná

domingo, 17 de junho de 2007

Carta a alguém que quer ser feliz


Meu amigo,

Kafka conta a história sobre um homem que chega à porta da felicidade. Seu passo é firme e decidido. Uma força invisível parece atraí-lo até ali. Era, de fato, sua porta da felicidade. Entretanto, enquanto se aproxima cheio de esperança, surge o guardião que, admirado e olhando-o fixamente, põe-se na sua frente. E como era amedrontador...
Nosso homem fica um pouco perplexo, desconcentrado e sem capacidade de reação. Depois de vacilar por alguns instantes, senta-se no chão e fica pensativo, ensimesmado. E assim passa um bom tempo...
Em seguida, começa a olhar ao seu redor, curioso: a porta, as janelas, o prédio... como se buscasse um modo de entrar e enganar o guardião. Nenhuma solução parece suficiente. Nervoso, luta com o desejo, a dúvida, a indecisão... E vai embora.
Passam-se os anos e todos os dias o homem caminha em direção à porta da felicidade. Quantas maravilhas deveriam estar aguardando apenas pelo momento em que atravessasse pela soleira. Mas lá está o guardião, imponente como uma resistente muralha.
O tempo não perdoa e o homem, já muito velho e doente, sente-se esmorecido. Quem sabe esse seu estado inspire compaixão ao guardião e o deixe entrar... Assim, reunindo as últimas forças, aproxima-se da porta e pergunta com voz moribunda:
- Se esta é a porta da minha felicidade, por que nunca me deixou entrar?
E o guardião, surpreso, retruca:
- Mas você nunca me pediu...
Felicidade... Poucas letras que contém dentro de si o segredo da existência humana. É uma palavra que precisa ser pensada, para não a termos como poesia separada da realidade. Vale lembrar que o direito à felicidade é assegurado pela Declaração dos Direitos do Homem, aprovada pela Organização da Nações Unidas. Muito antes disso, já advertia a Torá sobre como as pessoas tristes seriam punidas, “pois você não serviu ao Eterno com alegria e com o coração feliz” (Deuteronômio 28:47). Portanto, embora amemos a poesia, não se trata de suspirar pelo impossível, como alguns entendem ser a poesia.
A felicidade só é impossível àqueles que temem lançar-se ao desafio de buscá-la. Não a vejo como um objetivo, mas como um ideal. Não é uma situação, mas uma decisão. Talvez não a conquistemos, mas teremos iniciado o caminho rumo ao seu encontro. E, principalmente, teremos dado um sentido, uma razão à nossa vida. É melhor fechar-se numa concha e desistir da felicidade pelo puro medo do desconhecido? É verdade: a felicidade traz consigo o sabor do desconhecido. Passamos inúmeras vezes durante nossa existência por portas da felicidade. Queremos saber o que há lá dentro; se realmente vale a pena. Imaginamos mil coisas e esperamos que ela se abra para nós com todas as garantias, pois somos merecedores. Com isso, esquecemos do essencial: pedir para entrar. O problema não é quem merece ou deixa de merecer, mas quem toma uma atitude e corre atrás do que acredita e quer para si! E perdemos nossa chance, pelo mero receio de superar nossos próprios limites. Meu amigo, muitas outras portas poderão abrir-se para você, mas talvez aquela se feche para sempre.
A felicidade é uma estrada longa e sinuosa, plena de armadilhas, e é muito mais fácil abandoná-la que trilhá-la. Quem quer ser feliz haverá de remar contra a maré, não esperando aplausos ou incentivo para esta empreitada. Felicidade não é um prêmio; é uma escolha e ainda mais: um verdadeiro atrevimento. Afonso Duarte de Barros dizia “felizes os que sonham, ainda que não possam realizar os sonhos.” Às vezes precisamos deixar o passado para sonhar – mesmo sabendo que talvez não tenhamos as asas necessárias para alcançar as nuvens da felicidade –, mas tudo nesta vida tem seu preço. A questão é: arcamos com os custos de nossa felicidade ou não? Deixemos o velho de fora e abramos espaço para o novo. Assuma um compromisso comigo hoje e diga a si mesmo: eu vou ser feliz! Neste nigun (melodia) da vida, não podemos deixar passar sequer uma nota.
Meu amigo, estarei aqui esperando pelo seu sucesso. Pois mesmo que fracasse, será um vencedor por apenas ter tentado. Faça de sua poesia uma história viva e repleta de momentos felizes. Sempre haverá um amigo a apoiá-lo, palmas abertas a felicitá-lo e um braço estendido a consolá-lo. Afinal, não há quem feche a porta da amizade. Boa sorte!


Prof. Sami Goldstein

Rabino da Comunidade Israelita do Paraná